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29 de outubro de 2010

‘Governo fez pré-sal perder seriedade', diz especialista

Os anúncios sobre o petróleo são verdadeiros, transparentes e sem interesses eleitoreiros? Em quais pontos a Petrobras, de fato, beneficia a população brasileira, para ser usada na campanha? A dois dias do segundo turno, novas descobertas são anunciadas pela ANP, colocando o pré-sal no palanque político mais uma vez.

Em apenas uma semana, três notícias sobre novas reservas de pré-sal foram divulgadas no país. Cada uma delas se refere a áreas diferentes de exploração: o campo de Libra, na bacia de Santos, os poços em águas ultraprofundas na bacia Sergipe-Alagoas, e o rumor de que haja mais petróleo nos blocos BM-S 9, BM-S 40 e BM-S 12, em Tupi. Essa terceira descoberta teria, segundo os mesmos rumores, potencial de exploração de 68 milhões de barris. Por Ana Clara Costa

Nos bastidores, Collor negociava a BR

Senador, que já indicara um diretor da estatal, queria botá-lo na presidência, mas divulgação suspendeu negociação

A confirmação e divulgação do fato de que o senador Fernando Collor (AL) nomeou pelo menos um diretor da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, puseram areia nos planos do ex-presidente e do seu partido, o PTB, que pretendiam tomar conta da empresa. Isso já estava sendo acordado nos bastidores, em caso de vitória da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, segundo interlocutores da empresa. A frente da negociação teria sido assumida pelo líder do PTB, o senador Gim Argello (DF), que se tornou o mais novo amigo de Dilma e do Planalto nos últimos meses. Por Geralda Doca

22 de outubro de 2010

Evidências de influência partidária na PF

O grau de aparelhamento do Estado na Era Lula por grupos sindicais, pela companheirada em geral e por organizações ditas sociais não é medido pelo simples - embora preocupante - inchaço da máquina burocrática.

É negativo o fato de os cargos de confiança nos últimos sete anos e dez meses terem passado de aproximadamente 18 mil para mais de 20 mil postos, preenchidos sem necessidade de concurso público, exigência de aptidão profissional e outros requisitos normais nas atividades privadas. Piores, porém, são as distorções observadas na atuação do Estado em decorrência deste aparelhamento. Por exemplo, no suporte a atividades ilegais de organizações políticas companheiras (MST), no não cumprimento de determinações judiciais por injunções partidárias - caso da desocupação de parte do Jardim Botânico, impedida pelo PT fluminense -, e assim por diante. Editorial O Globo

Petrobras no palanque

O uso político da empresa acentuou-se com o processo de capitalização, vendo o risco, os minoritários participaram menos do que se esperava.

É lamentável, mas o governo continua deixando a Petrobras no palanque e, com isso, transformando a empresa em instrumento para eleger sua candidata a presidente da República. Tem sido assim desde o anúncio da descoberta do pré-sal, no final de 2007.

Durante este ano de 2010, o uso da empresa como instrumento político acentuou-se com o processo de capitalização da estatal. O resultado final da capitalização teve como grande vencedor o governo, que aumentou sua participação na empresa de 39,2% para 48,3%; se agregarmos as parcelas da Previ e da Petros, o número ultrapassa os 50%. Por Adriano Pires

21 de outubro de 2010

Um erro de conceito

Confirmando a amoralidade do PT e de seus apaniguados, que integram a primeira linha de gestão das estatais, sai uma revista pró-Dilma, com verba do BB e da Petrobras.

Ontem, no jornal Folha de S. Paulo, José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, dizendo agir em defesa da estatal e, contraditoriamente, negando-se a entrar na disputa política, afirma que:

1) o governo FHC preparou a privatização da Petrobras; 2) o PSDB teria inibido os investimentos na estatal.

Não fosse ele, teoricamente, um sindicalista alçado à presidência da maior estatal brasileira, o caso poderia passar batido. No entanto, não é tarefa de um profissional, contratado para dirigir uma empresa deste porte, a tarefa de imiscuir-se na eleição. Por Arthur Chagas Diniz

Acionistas reagem a Gabrielli em campanha

Críticas do presidente da Petrobras à gestão anterior levantam debate sobre governança corporativa

Gabrielli: presidente da Petrobras alega que defendeu modelo de negócios e não se envolveu na campanhaProtagonista nas campanhas presidenciais de 2002 e 2006, a Petrobras voltou ao centro do debate eleitoral este ano, mas com um ingrediente inédito. A própria empresa, na figura de seu presidente, José Sergio Gabrielli, expôs-se na defesa da candidatura Dilma Rousseff (PT). O executivo saiu publicamente em campanha, ao atacar a administração da estatal durante a gestão do PSDB e defender a administração atual . É a primeira vez que o executivo-chefe da maior empresa brasileira expõe-se no debate eleitoral. Por Graziella Valenti

19 de outubro de 2010

Partidarização de estatais e dirigismo

A ida para o segundo turno da candidata oficial, Dilma Rousseff, quando a sua campanha já havia preparado a festa da vitória em Brasília, tornou mais agressivo - ou "assertivo" - o embate nesta fase final das eleições. Como em 2006, por certo devido à inspiração do principal cabo eleitoral de Dilma, o presidente Lula, colocase no centro da mesa o assunto das privatizações empreendidas na Era FH, numa tentativa de apresentar o candidato tucano, José Serra, como vendilhão do "patrimônio do povo brasileiro".

E, tanto quanto em 2006, o nome da Petrobras anda de boca em boca. Até mais do que em 2006, pois ainda se está durante a aprovação legislativa da conversão do modelo de exploração do pré-sal de um sistema de concessão - exitoso, tanto que permitiu a descoberta da nova fronteira de produção - para o modelo de partilha, mais ao gosto da ideologia estatizante que ampliou espaços no segundo governo Lula. Mas não estamos em 2006, e, depois de quatro anos de ampliado o aparelhamento da máquina pública, de denúncias de corrupção em estatais, a velha tática ressurge ainda mais caricata. Opinião O Globo

18 de outubro de 2010

À beira do apagão postal

Mais de mil franqueadas dos Correios têm pendências na Justiça. Mesmo assim, tiveram seus contratos prorrogados por mais sete meses. Por quê? Porque há dificuldades na licitação para a renovação dos 1.424 pontos de franquia existentes no Brasil. E por que há dificuldades nessa licitação?

Porque a direção dos Correios está doente há vários anos, contaminada pelos vírus do loteamento político e da incompetência. O primeiro episódio revelador dos males que acometem o sistema postal brasileiro é de 2005. Cinco anos atrás, como é de conhecimento geral, o chefe de Contratação e Administração de Material foi filmado recebendo propina. Editorial do Diário de São Paulo

16 de outubro de 2010

Petrobras é usada para a campanha de Dilma

E-mail da Petrobras é usado para a campanha de Dilma. Coordenador de Patrocínio convocou fornecedores para ato no Rio segunda-feira

Mecanismos de comunicação da Petrobras continuam sendo usados em apoio à candidatura de Dilma Rousseff (PT) à Presidência. Segundo email enviado da caixa postal do coordenador de Patrocínio à Música e Patrimônio da estatal, Claudio Jorge Oliveira, ao qual O GLOBO teve acesso, fornecedores estão sendo convocados para participar de ato político a favor da campanha petista marcado para acontecer no Rio, na próxima segunda-feira. Com título em letras maiúsculas, o funcionário convida os "caros amigos" a participar do evento. No corpo do documento, destaca a participação de artistas e intelectuais, liderados pelo cantor e compositor Chico Buarque, além dos escritores Leonardo Boff, Eric Nepomuceno e Fernando Morais e do sociólogo Emir Sader. Na ocasião, como destacado em negrito no e-mail, será entregue à candidata um manifesto de artistas e intelectuais pró-Dilma. Por Flávio Freire

15 de outubro de 2010

Fiasco chapa-branca

O Brasil pode preparar-se para um vexame internacional, transmitido ao vivo e em cores, se até a Copa do Mundo a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) continuar investindo com a lentidão e a incompetência demonstradas mais uma vez neste ano.

Com investimento de R$ 1,6 bilhão programado para 2010, a Infraero aplicou até agosto apenas R$ 258,6 milhões, 16,5% da verba total. Nesse período, nada foi desembolsado para algumas obras, como a da nova torre de controle do Aeroporto Internacional de Salvador e a do complexo logístico do Aeroporto Internacional de Porto Alegre, entre outras. A verba prevista deve ser reduzida para R$ 1,1 bilhão, segundo a empresa, mas também esse valor dificilmente será usado até o fim de dezembro, a julgar pelo desempenho até agora. Esse padrão não é exclusivo de uma estatal. É uma das marcas da maior parte das empresas controladas pela União, sujeitas ao loteamento de cargos e a critérios político-partidários de orientação.

14 de outubro de 2010

Máquina sindical do governo a serviço de Dilma

Centrais sindicais iniciam campanha pela eleição de Dilma

As seis maiores centrais sindicais do país dão largada hoje à campanha direta pela eleição de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República. Após evento realizado no fim da tarde de sexta-feira na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, filiado à Força Sindical, dirigentes sindicais intensificaram o contato com integrantes do comitê eleitoral de Dilma, definindo dois eixos de atuação: negociar com o governo o reajuste real do salário mínimo no ano que vem e iniciar desde já a defesa da candidatura petista. Em reunião realizada ontem no espaço onde funcionara o comitê de campanha de Aloizio Mercadante (PT) ao governo de São Paulo, representantes das seis entidades e de movimentos sociais acordaram em iniciar hoje uma larga campanha de rua. Por João Villaverde

13 de outubro de 2010

Correios: Desfecho da crise anunciada

Pivô do escândalo Erenice Guerra, MTA agora atrasa entregas e causa prejuízo aos Correios

Onze meses depois de a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) dar aval para que a Master Top Linhas Aéreas (MTA) continuasse voando, mesmo tendo detectado o risco de paralisação de seus serviços por problemas financeiros, a empresa está em crise financeira e não honra mais seus compromissos com os Correios, o que causa prejuízos ao contribuinte. A MTA foi pivô do escândalo que derrubou a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra. A Polícia Federal investiga a denúncia de que a Anac teria aprovado a renovação da concessão da empresa após a intervenção de Israel Guerra, filho de Erenice, que teria recebido propina para deslanchar o processo. Por Fábio Fabrini

10 de outubro de 2010

A politização da Petrobrás

Depois da "maior capitalização da história", a maior empresa do Brasil, a Petrobrás, perdeu R$ 28,4 bilhões de valor de mercado em apenas três dias, encolhendo 7,5% nesse período. Na sexta-feira, suas ações ganharam algum impulso, depois de bater no nível mais baixo em um ano e meio. A onda de vendas foi apenas um "ajuste de carteira", segundo seu presidente, José Sérgio Gabrielli. "É normal as ações subirem e descerem", ponderou o ministro da Fazenda e presidente do conselho da estatal, Guido Mantega. A empresa, acrescentou, está mais forte do que nunca e sua capitalização foi "reconhecida mundialmente como importante". Nenhuma das duas explicações é para ser levada a sério. Oscilações dessa amplitude não são normais no dia a dia nem são meros ajustes de carteira. O problema da Petrobrás é o mesmo de antes da capitalização: uma perigosa subordinação aos interesses políticos de um governo centralizador e voluntarista.

8 de outubro de 2010

Escândalos fazem a Petrobras perder valor

Após capitalização, ações da estatal caem quase 3% em um só dia e reforçam o pessimismo de investidores

As incertezas em torno da capitalização da Petrobras voltaram a movimentar o mercado acionário ontem e pressionaram o índice da Bolsa de Valores de São Paulo (BM&Fbovespa), que fechou com queda de 0,88%, a 69.918 pontos. Depois de os bancos Itaú e Barclay's divulgarem esta semana relatórios pouco favoráveis aos papéis da estatal, ontem boatos sobre um escândalo envolvendo a estatal derrubaram mais ainda as cotações da petrolífera, que lideraram as quedas da bolsa paulista. Ontem, as ações ordinárias (com direito a voto) da Petrobras chegaram a despencar 5,9%, mas encerraram o dia com queda menor, de 2,98% em relação à véspera, cotadas a R$ 28,31. Por Rosana Hessel, Mariana Mainenti e Gabriel Caprioli

Entre o público e o privado

Diretor de estatal do Ministério de Minas e Energia é sócio de empresa com contratos com Petrobras

Diretor de Gestão Corporativa da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), estatal ligada ao Ministério de Minas e Energia (MME), Ibanês César Cássel tem a Petrobras como cliente de sua empresa de eventos. Ligado à candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, desde que ela foi secretária de Energia, Minas e Comunicações no Rio Grande do Sul nos anos 90, Cássel assinou dois contratos com a estatal do petróleo no total de R$538.755,65 em 2008, por meio da Capacità Eventos Ltda, sediada em Porto Alegre. A Capacità tem Cássel como sócio e a mulher dele, Eliana Azeredo, como diretora-geral. Um dos contratos foi assinado sem licitação. Informações sobre Ibanês Cássel, entre outros rumores de denúncias que afetariam a Petrobras, circularam no mercado ontem e derrubaram as ações da empresa. Por Bruno Villas Bôas e João Guedes*

17 de setembro de 2010

Agências são caixas pretas na alma do governo federal

“A sociedade está sendo controlada pela plutocracia”

Sob tiroteio de críticas, entidades reguladoras não se manifestam

Anac, Anatel, Aneel, Ancine, ANP, ANS, Antaq, ANTT, Anvisa, Ana... As agências reguladoras de atividades econômicas, que já somam quase duas dezenas no país, assemelham-se a cabides de emprego em que a competência técnica é preterida para o favorecimento de aliados políticos do governo, comprometendo a qualidade de vida e causando prejuízos à população. A crítica vem de especialistas ouvidos pelo Jornal do Brasil. Apenas uma delas, a Aneel, teria causado um prejuízo superior a R$ 6 bilhões à União, segundo Ildo Sauer, professor da USP e ex-diretor da Petrobras. Jornal do Brasil

15 de setembro de 2010

Apex, cabide de aloprados do PT

Não é por outra razão que o brasileiro trabalhador é literalmente roubado nos impostos para bancar as ratazanas mocozadas no poder. Aquele Otacílio Cartaxo, aquele mesmo, envolvido até as entranhas na violação de sigilo fiscal dos contribuintes, declarou ontem que a arrecadação federal de agosto poderá apresentar crescimento real em torno de 15% e bater recorde pelo oitavo mês seguido. Em troca, recebemos a máxima ineficiência dos serviços prestados, em todos os setores. É o estado lulista pisoteando e destruindo tudo que foi construído até aqui. Por Arthur (FDS)

Refúgio de parentes de aloprados
Mulher de Osvaldo Bargas e filha de Jorge Lorenzetti, dois personagens -chave do escândalo dos alopra - dos petistas, estão empregados na Apex, agência de promoção das exportações. O Globo

14 de setembro de 2010

Quando o aparelhamento é movido a DNA

O caso de Erenice Guerra e o escândalo da invasão criminosa de arquivos da Receita Federal, com objetivos político-eleitorais, traçam em cores fortes um cenário de degradação de uma máquina pública cada vez mais custosa para o contribuinte

A candidata Dilma Rousseff, no debate de domingo à noite, patrocinado pela Rede TV!/"Folha de S.Paulo", tachou de "manobra eleitoreira" a denúncia publicada pela revista "Veja" de que a sua sucessora na Casa Civil, Erenice Guerra, participara, com um filho, de uma ação de lobby junto aos Correios (sempre eles...). Ao mesmo tempo, Dilma procurou se desvincular da gestão da amiga e assessora direta desde os tempos do Ministério de Minas e Energia, apoiando previamente qualquer medida que o governo Lula venha a tomar em toda essa nova história. Opinião O Globo

Erenice controla direção dos Correios

Ministra pressionou para que comando da estatal fosse trocado e indicou o presidente e o diretor de Operações

A forte atuação da chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, nos últimos meses, para mudar o comando dos Correios — o que ocorreu no final de julho — virou motivo de grande desconforto e preocupação no Palácio do Planalto. Já há o reconhecimento de que Erenice operou, não só para efetuar mudanças na estatal, como, na prática, passou a controlar os Correios. A empresa está subordinada ao ministro das Comunicações, José Artur Filardi. No entanto, hoje Erenice tem ascendência direta sobre os dois principais cargos da estatal: o presidente David José de Matos e o diretor de Operações, o coronel Artur Rodrigues Silva. Por Gerson Camarotti, Martha Beck e Evandro Éboli

6 de setembro de 2010

Chapa-branquismo dilmista

A se confirmarem as previsões, com base nas pesquisas, Dilma Rousseff (PT) será eleita e terá em 2011 o Senado mais governista desde a volta do sistema de escolha direta de presidentes da República pós-ditadura. Pelas contas publicadas por esta Folha no sábado, o bloco chapa-branca ficará em torno de 55 dos 81 senadores. Numa estimativa conservadora, terá 50 cadeiras. Seria um voto além dos 49 necessários para promover mudanças constitucionais. Esse cenário nunca existiu para Collor (eleito em 1989), FHC (1994 e 1998) e muito menos para Lula (2002 e 2006). Por Fernando Rodrigues